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Pai ou mãe: quem tem mais “poder” sobre os filhos?

Quando a relação termina, uma pergunta aparece com força, e quase sempre vem carregada de medo, culpa e insegurança:

Quem decide agora? O pai ou a mãe?

A resposta, no direito brasileiro, é bem direta: pai e mãe têm os mesmos direitos e os mesmos deveres em relação aos filhos. Não existe hierarquia.

O que existe é um compromisso legal (e humano) chamado poder familiar: um conjunto de responsabilidades voltadas a proteger, orientar e garantir o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

O que é “poder familiar” na prática?

Poder familiar não é prêmio, não é controle e não é “quem manda”. É dever.


Ele envolve, por exemplo:

  • decisões sobre educação (escola, transferência, acompanhamento)
  • cuidados com saúde (tratamentos, cirurgias, terapias)
  • definição de rotina e bem-estar
  • proteção física e emocional
  • administração responsável de eventuais bens do filho (com limites e, em alguns casos, exigência de autorização judicial)

Separou. Isso muda alguma coisa?

Muda a convivência do casal, mas NÃO muda o vínculo de pai e mãe com os filhos.

O que pode mudar é:

  • guarda (como as responsabilidades e decisões são organizadas)
  • residência de referência (com quem a criança mora na maior parte do tempo)
  • regime de convivência (visitas, finais de semana, feriados, férias)
  • pensão alimentícia (que não compra “poder”, mas garante sustento)

Ou seja: a separação altera a logística. Não altera a responsabilidade de ser pai e mãe.

“Guarda compartilhada” significa 50% do tempo para cada?

Não necessariamente.

A guarda compartilhada é, em regra, o modelo preferido pela lei porque reforça algo importante: as decisões relevantes devem ser tomadas em conjunto, mesmo que a rotina diária fique mais concentrada na casa de um dos genitores.

Então, vale uma quebra de objeção comum:

  • Mas eu sou mãe e sempre cuidei, então eu decido.
    Você pode ser a principal referência na rotina, e isso é considerado, mas decisões importantes tendem a ser compartilhadas.

  • Mas eu pago pensão, então eu tenho mais voz.
    Pensão é dever de sustento. Não aumenta autoridade e não reduz o dever do outro genitor.
E quando um dos dois pode decidir sozinho?

Em geral, assuntos do dia a dia (rotina, horários, pequenos cuidados) podem ser resolvidos por quem está com a criança naquele momento.

Já decisões que mudam a vida do filho (como troca de escola, mudança de cidade, procedimentos médicos relevantes, emissão de passaporte e viagens, entre outras) normalmente pedem concordância.


Quando não há diálogo e isso vira travamento constante, pode ser necessário formalizar regras ou até buscar orientação judicial, sempre com foco no que é melhor para a criança.

O que realmente manda é o “melhor interesse” do filho

Na prática, o centro da discussão não deveria ser “meu direito contra o seu”.

Deveria ser: o que dá mais segurança, estabilidade e saúde emocional para essa criança?

Por isso, o Judiciário e os acordos bem feitos tendem a valorizar:

  • rotina previsível
  • convivência saudável com ambos (quando possível e seguro)
  • proteção contra conflitos, manipulações e chantagens emocionais
  • decisões coerentes com a idade e as necessidades do filho
E se um dos genitores for ausente, agressivo ou colocar o filho em risco?

A igualdade entre pai e mãe não significa tolerar risco.

Quando há violência, negligência, abuso, dependência química sem controle, ameaças ou qualquer situação que comprometa a segurança da criança, o caminho é proteger o menor e buscar medidas legais adequadas. Nesses casos, podem existir restrições e regramentos específicos definidos por autoridade competente.

Como evitar que isso vire uma guerra (e os filhos paguem a conta)

Se tem uma coisa que machuca crianças em separações é o “cabo de guerra” emocional. Muitas vezes, a solução não é “ganhar do outro”, e sim organizar um acordo claro, com regras objetivas, para reduzir conflitos.

Um acompanhamento jurídico ajuda a:

  • transformar conversas difíceis em acordos praticáveis
  • definir guarda e convivência com clareza
  • proteger a criança e evitar decisões impulsivas
  • formalizar tudo de forma segura, para ninguém ficar “na mão” depois

Em resumo: pai e mãe têm o mesmo poder familiar, porque, na verdade, é o mesmo dever. O que deve guiar qualquer decisão é o melhor interesse da criança.

Se você está passando por separação, conflito de guarda ou dificuldade de convivência, buscar orientação pode trazer algo que a sua família precisa agora: previsibilidade, proteção e paz para os filhos.

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Bruna Kosmel

Bruna Kosmel é advogada especializada em Direito de Família e Sucessões. Com uma atuação marcada pela humanização, responsabilidade e transparência, ela busca sempre a melhor estratégia para atender às necessidades de seus clientes.

Sócia-proprietária da Bruna Kosmel Advocacia, localizada em Águas de Lindóia, oferece atendimento 100% digital, garantindo acessibilidade e eficiência em todo o território nacional.

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